O valor da curiosidade

A medida que envelhecemos, nos acostumamos e nos familiarizamos com a realidade que nos rodeia e com nós mesmos. As experiências do passado dão forma à nossa percepção de mundo, e nos ensinam lições que levamos na maior parte das nossas vidas.

Entre as palavrinhas mágicas que as empresas costumam usar em suas comunicações, “inovação” ocupa um lugar especial. Junto com “ética” e “meritocracia”, é uma daquelas expressões que todo gerente de marketing ou de recursos humanos acha indispensável usar, principalmente em empresas que não inovam, ignoram qualquer forma de ética e incentivam a mediocridade: quase como se fosse apenas uma questão de pronunciar fórmulas mágicas com suficiente intensidade e frequência para que seu significado se torne real. Porque não tentar com Wingardium Leviosa, então? Vai que os resultados da empresa levitam também.

Fazemos suposições baseadas nessas experiências e lições, às vezes de forma indiscriminada. Quando enfrentamos uma situação desconhecida ou um problema, as nossas mentes percebem um lugar de confusão ou conflito como uma brecha.

Para resolver esta discrepância, a nossa mente tende naturalmente a preencher os espaços em branco com a informação obtida das coisas que sabemos (experiências). Esta, por exemplo, é uma forma muito comum de criar falsos detalhes em lembranças que, em essência, foram verdade.

Suposições

Fazemos suposições sobre os comportamentos de outras pessoas ou sobre o futuro com uma facilidade assombrosa. Como dissemos anteriormente, precisamos delas para eliminar a incerteza, que pode se transformar em uma sensação realmente desconfortável.

O problema que estas suposições causam à criatividade surge quando as mesmas se baseiam em pensamentos muito simples que quebram uma base pouco sólida. O que quero dizer com isto é que as suposições, por si só, não são ruins, mas passam a ser quando em sua criação não é usada a curiosidade.

É este tipo de curiosidade, por exemplo, que faz a ciência avançar. Todos os campos científicos nutrem-se da curiosidade, da procura por respostas para problemas derivados da realidade ou, simplesmente, do jogo mental da curiosidade do saber.

Assim, a curiosidade estimula os nossos mecanismos criativos, impondo a eles um desafio a encarar.Ao mesmo tempo, estimula o nosso sistema cognitivo para que trabalhe em prol de uma resposta. Da mesma forma que somos quando crianças, que têm a maravilhosa ousadia de perguntar.

O valor da curiosidade

A pessoa que deixou de ser curiosa, também perdeu a maravilhosa capacidade de se surpreender

O caso da curiosidade nas crianças

A relação entre a criatividade e a curiosidade é simbiótica e necessária:  sem uma não se pode ter a outra. Seria como comer sem fome, beber sem sede ou beijar sem amor.

As crianças pequenas, menores de 6 anos, estão em uma fase de suas vidas em que tudo se transforma em uma pergunta. Isto é comum porque a sua mente é como uma lousa em branco; não contam com experiências prévias que possam assumir. Elas têm um presente com o qual precisam viver e a respeito do qual querem aprender.

As crianças fazem muitas perguntas e aprendem rápido porque têm curiosidade. A curiosidade é o que os mantem interessados e com vontade de saber mais.

O papel da curiosidade na criatividade

 

A criatividade exige uma mente aberta, alguém que não está satisfeito com as experiências recicladas, teorias e suposições. Os avanços e inovações em toda a nossa história nascem de desafiar o que criamos em um determinado momento e de questionar aqueles conhecimentos que nos deram por herança, e que o nosso entorno dá por estabelecidos e certos, às vezes, erroneamente.

Por exemplo:  os pintores experimentam com cores e técnicas que quebram os limites do que já se sabe, graças a curiosidade que faz com que a sua arte se potencialize.

As ideias novas e criativas são possíveis porque alguém teve curiosidade de experimentar e fazer perguntas . A beleza disto é que, quando somos curiosos, também temos menos medo.

Aprendemos uma nova informação que nos intriga, de modo que queremos saber mais; sem uma necessidade fisiológica que deve ser satisfeita, sem importar o temor ao fracasso, à rejeição ou ao desconhecido ou ao que se sabe ser impugnado, ou que fosse um erro desde o início.

A curiosidade é uma sede que precisa ser saciada, um impulso que tem que ser satisfeito, muitas vezes sem importar o preço.

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