Asgardia: conheça a primeira nação espacial independente do Sistema Solar

Não pense você que os humanos estão satisfeitos com apenas lançar sondas e telescópios espaciais pelo cosmos, enviar astronautas em órbita
— e até à Lua — ou sonhar com a colonização de outros planetas. Não, caro leitor! Caso você não saiba, existe uma organização que tem como propósito fundar a primeira nação espacial independente de que se tem notícia e conquistar a democratização do espaço.

A iniciativa foi batizada de Asgardia — em referência a Asgard, reino da mitologia nórdica que abriga personagens como Odin e Thor — e visa a construção de uma nação no espaço onde os terráqueos poderão viver e trabalhar. Mais precisamente, um dos principais focos seria auxiliar na mineração espacial e defender a Terra de ameaças cósmicas, entre elas, o impacto de asteroides e outros objetos e, porque não, as invasões alienígenas.

Asgardia

O projeto foi apresentado recentemente durante uma conferência em Paris, e foi idealizado pelo renomado cientista e empresário russo Igor Ashurbeyli, fundador do Centro Internacional de Pesquisa Aeroespacial (AIRC) na Rússia e presidente do comitê de ciências espaciais da UNESCO.

Você toparia se tornar um asgardiano?

E Igor não está sozinho nessa! Ele escalou um time de peso para apoiar a fundação de Asgardia, incluindo David Alexander, diretor do Instituto Espacial da Universidade Rice, Joseph Pelton, diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais e de Comunicação Avançada (SACRI) da Universidade George Washington, Ram Jakhu, diretor do Instituto de Direito Aéreo e Espacial da Universidade McGill, e o cosmonauta romeno Dumitru-Dorin Prunariu.

Aliás, pelo menos no papel, Asgardia já existe, e seus idealizadores estão buscando terráqueos que se interessem pelo projeto e estejam dispostos a receber a cidadania asgardiana. Na verdade, não existem muitas exigências para quem quiser se tornar cidadão da primeira nação espacial do Sistema Solar: basta ter mais de 18 anos e ser nascido em um país que aceite a dupla cidadania, como o Brasil, por exemplo. Interessado? Você pode se inscrever através deste link.

Vale destacar que o time por trás do projeto dará preferência aos primeiros 100 mil inscritos para conceder as cidadanias, e está interessado em encontrar perfis específicos. Na realidade, a equipe espera atrair especialmente candidatos que atuem em áreas como engenharia, astronomia e direito espacial — e até o momento da publicação desta matéria, já havia mais de 460 mil interessados em se tornar cidadãos asgardianos.

Poucos detalhes

Ainda não existem muitos detalhes a respeito de como Asgardia será construída, muito menos sobre como ela será financiada. Mas, de momento, se sabe que Ashurbeyli investiu dinheiro do próprio bolso na iniciativa. Além disso, segundo os — poucos — detalhes que foram divulgados até agora, o primeiro passo do projeto envolverá enviar um satélite em órbita nos próximos 18 meses, a tempo para celebrar os 60 anos do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik.

Olha o Sputnik aí!

A ideia do grupo é que, com o tempo, uma espécie de estação espacial permanente seja construída na baixa órbita terrestre ou um pouco mais além, e esse local, por sua vez, será regido por suas próprias leis e regras e servirá de lar para pessoas que estejam dispostas a trabalhar para o bem da humanidade.

Mais especificamente, Ashurbeyli espera que Asgardia seja um reflexo do nosso planeta no espaço, mas sem as suas fronteiras, limitações, restrições religiosas etc., e que seus habitantes tenham como principal meta proteger o nosso planeta e fazer o bem.

Cena do filme “Elysium”

Mas, antes que Asgardia seja considerada oficialmente como nação, ela deverá preencher alguns requisitos: ela precisará de um “território” onde se instalar (a tal estação espacial – checado!), uma população (esse provavelmente será o item mais fácil de conquistar – checado!), um governo (questão que já foi pensada pelos idealizadores – checado!) e ser reconhecida tanto pelas Nações Unidas como pelos demais países membros da organização.

Com relação a esse último requisito, a ideia é que, eventualmente, Asgardia tenha uma população de 150 milhões de asgardianos — embora apenas alguns possam viver no espaço —, e os fundadores esperam que o próprio número de interessados acabe convencendo a ONU a reconhecê-la como uma nação soberana.

Mais uma cena do filme “Elysium”

Parece loucura? Na realidade, parece um pouco sim, e alguns críticos apontaram que, no atual estágio do projeto, não ficou muito claro no quê Asgardia se diferenciaria da Estação Espacial Internacional — ou da estrutura fictícia que apareceu no filme “Elysium”. No entanto, temos que admitir que, cedo ou tarde, alguém pensaria em fundar uma micronação no espaço, não é mesmo? De qualquer forma, teremos que aguardar até que mais detalhes sejam divulgados.

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